O infectologista Carlos Henrique Nery Costa avalia que o isolamento vertical não seria uma alternativa eficaz no combate ao novo coronavírus. Segundo ele, durante participação em uma live com o prefeito Firmino Filho, neste sábado (04), a medida não tem fundamento. “É uma tolice que se fala pelo argumento econômico e não pela preservação da vida”, disparou.

O isolamento vertical funciona com a retirada e isolamento apenas das pessoas que fazem parte do chamado “grupo de risco” para a covid-19. No caso, a ideia seria isolar idosos, gestantes, pacientes com comorbidades como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos. “Isso não funcionaria porque essas pessoas depois teriam contato com outras pessoas que não integram o grupo de risco, mas que podem contrair a doença”, observou.

Carlos Henrique Nery Costa defendeu ainda as medidas restritivas, como o fechamento de estabelecimentos, que vêm sendo adotadas tanto pela Prefeitura de Teresina, quanto pelo Governo do Estado. Isso porque as estimativas apontam que, hoje, apenas 20% dos infectados apresentem os sintomas. “Apesar de serem assintomáticos, eles continuam transmissores da doença, sem saber que estão doentes. Isso representa o principal obstáculo de controle da doença”, pontua.

Ainda segundo ele, o isolamento social é capaz de reduzir o tamanho do expoente de contaminação. Hoje, uma pessoa chega a transmitir a doença para, no mínimo, duas pessoas. “O esforço de fazer a contenção das pessoas é para reduzir o expoente. Todo esforço, por menor que seja, é altamente eficiente”, pontua, destacando ainda que as fake news também são grandes empecilhos para o combate a doença.

O infectologista destacou ainda que, adotando as medidas de isolamento social, como fez a China, é possível controlar. “As instituições lá são fortes e lá se tem um hábito cultural de seguir regras. Lá não tem essa história de dar um jeitinho. Eles sabem que, cumprindo as regras, estão protegendo eles e os outros. Por isso que, quando eles reagiram, apesar de terem reagido tardiamente, eles conseguiram controlar a epidemia”, salienta, ressaltando que o erro de países como os Estados Unidos e Itália foi “baixar a guarda”. “Eles desdenharam do poder do vírus”, completou.

Questionado pelo prefeito Firmino Filho sobre um período ideal de isolamento, o infectologista explicou que não era possível prever, mas que a medida deveria ser mantida, pelo menos, por três meses. “Então, essas medidas que a Prefeitura e o Governo têm adotado, é uma atitude humana e baseada na ciência”, diz.

O prefeito Firmino Filho tem realizado diversas participações com especialistas em suas redes sociais para debater os efeitos do novo coronavírus na capital. Além de Carlos Henrique Nery Costa, nomes como o do médico Marcelo Martins, cardiologista e diretor de práticas médicas do Hospital São Marcos, Paulo Márcio, professor de cardiologia da UFPI e presidente da Associação Piauiense de Medicina, Flávio Melo, endocrinologista e ex-presidente da sociedade Piauiense de Terapia Intensiva e diretor administrativo do Hospital HTI, José Noronha Júnior, infectologista e diretor do Instituto Natan Portela, José Cerqueira Dantas, médico neuroradiologista.  “A gente está consultando quem entende para entender essa doença e como ela age, para que a gente possa adotar as medidas cabíveis para conter o avanço dela na nossa cidade”, reforçou o prefeito.

Da Redação

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