Setembro Amarelo

Suicídio: Precisamos falar sobre isso

A Associação Brasileira de Psiquiatria informou, por meio de dados, que 17% da população brasileira já pensou em cometer suicídio.

Publicada em 9 de setembro de 2018 - 9:50

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Suicídio: Precisamos falar sobre isso

Última atualização: 9 , setembro 2018 - 09:50

Você já se perguntou o que está por trás do comportamento suicida? Porque alguém desiste de lutar? Para algumas pessoas, em determinados momentos, pensar na morte como a única saída para uma situação de sofrimento, talvez pareça a única solução possível. Mas a maioria dessas pessoas escolheria outra forma de solucionar seus problemas, se não se encontrassem numa tal angustia que as incapacita de avaliar as suas opções de forma mais racional.

Recebo com freqüência, no meu consultório, vários pacientes que já tentaram tirar a sua própria vida, ou que apresentam ideação suicida. De acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria, 17% da população brasileira já pensou em cometer suicídio. Todo ano são registrados cerca de 10 mil suicídios no Brasil, mas ainda existe um tabu muito grande em falar sobre o assunto e discutir possibilidades de evitação.

É mito a idéia de que falar sobre suicídio aumenta o risco para o mesmo. É preciso falar sobre isso! Na maioria das vezes, aquele que se suicida avisa de alguma forma antes de cometer o ato. Porém, há em muitos casos uma descrença por parte dos amigos e familiares. Geralmente acreditam que a pessoa está querendo apenas chamar a atenção, ou que “quem quer se matar de verdade não avisa, simplesmente se mata.”

Observei nos casos clínicos que acompanhei que, quanto maior a desesperança, maior o desejo desses pacientes de tirarem a própria vida. As pessoas que cometem suicídio, comumente buscam na verdade interromper uma condição de sofrimento e de dor que seja demasiadamente insuportável. Os déficits na resolução de problemas e o perfeccionismo são fatores psicológicos relacionados diretamente ao suicídio.

Outros fatores de risco associados com o suicídio são: transtornos mentais como depressão, bipolaridade e esquizofrenia; situações como o isolamento social e o luto (principalmente em idosos); questões psicológicas como perdas recentes, maus tratos ou abuso sexual na infância, e problemas na dinâmica familiar; e condições clínicas incapacitantes como dor crônica e câncer. O uso de drogas aumenta a impulsividade e, com isso, o risco de suicídio.

Caso perceba que alguém está apresentando mudanças drásticas de humor, demonstrando desesperança com relação ao futuro, tendo engajamento em atividades arriscadas, ou se afastamento dos amigos e familiares, não o ignore. Procure conversar e escutar sem julgar. Oriente a pessoa a pedir ajuda de um psicólogo e de um médico psiquiatra, e se ela se recusar, considere alertar um parente próximo ou alguém de sua confiança.

Se você, que está lendo este artigo neste momento, está pensando em tirar a própria vida, pense que talvez o seu objetivo seja apenas solucionar um problema que neste momento não parece ter solução. Não fique sozinho! Não se isole! Conversar sobre os sentimentos é essencial, vai te ajudar a organizar os seus pensamentos. Fale com quem se sentir mais a vontade, e procure ajuda de um profissional especializado. Não desista! Pense nas lutas que já venceu, e se concentre para vencer mais essa. Procure pensar no que te faz ou pode te fazer feliz. Às vezes são coisas simples, mas que podem te ajudar a resignificar a sua vida.

COMO BUSCAR AJUDA

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio no Brasil, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Você pode ligar a qualquer hora do dia para o número 188.

FONTE: Sileli Santiago

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